1. O homem define-se pelo modo como escolhe, decide e executa as
diferentes acções. Cada homem individualiza-se neste processo. Através das acções o homem transforma a
realidade, intervém no curso dos acontecimentos, torna-se num agente de
mudança. As suas acções projectam-no no futuro.
2. As acções denominadas humanas são as
específicas do homem, as que são inerentes à sua natureza. O homem pratica
dois tipos de actos: os que são comuns a outros animais e os que só ele
próprio realiza.
No primeiro caso temos, entre outros, os chamados
actos instintivos.Os estudos de Konrad Lorenz, apontam para a existência de
quatro grandes instintos comuns ao homem e aos animais (Nutrição,
Reprodução, Fuga e Agressão). Os instintos nos animais determinam quase
totalmente o comportamento destes, permitindo-lhes uma resposta perfeita ao meio,
constituindo uma condição imprescindível à sua sobrevivência.
No segundo, a actividade instintiva é
secundarizada em favor da actividade reflexiva, especifica dos seres
humanos. Agir, no caso do homem, implica pensar antes de agir (analisar as
situações, definir objectivos, escolher as respostas mais adequadas e
ponderadas as suas consequências). Por tudo isto não podemos reduzir as acções dos homens a simples
actos mecânicos. Os homens são livres de agir ou não, de escolher um ou outro
caminho. Os seus actos possuem uma dimensão moral que se fundamenta na
liberdade e na consciência da acção.
Numa dimensão moral, como veremos, os homens
praticam também actos que embora sejam conscientes e intencionais não deixam
de ser considerados inumanos. A razão é que os mesmos não se enquadram no âmbito
daqueles que consideramos dignos de seres humanos.
(Texto: Diferenças
Homem-Animais)
3.Dada a diversidade das acções que o homem
pratica é natural que a
palavra acção tenha muitos significados. Importa distinguir dois
tipos de acções, as involuntárias e as voluntárias.
Acções involuntárias: as
acções que não implicaram qualquer intenção da parte do sujeito.
Coisas que acontecem connosco, mas onde nos limitamos a ser meros
receptores de efeitos que não provocamos. Há actos que realizamos
por um mero reflexo instintivo, fazemo-los sem pensar. Há outros que
realizamos de forma acidental devido a uma sucessão de causas
que nos são totalmente alheias e que não controlamos.
Acções
voluntárias: as acções que implicam uma intenção deliberada do sujeito de
agir de determinado modo e não doutro. Estas acções são reflectidas, estudadas, premeditadas ou até projectadas a longo prazo
tendo em vista atingir determinados objectivos. Nestes casos afirmamos
que temos a intenção ou o propósito de fazer o que fazemos.
Aplicamos o termo
acção apenas ás que realizamos de forma consciente, dado que são as únicas
que são específicas dos seres humanos.
Carlos Fontes