Navegando na Filosofia - Carlos Fontes
O que é a Filosofia ?

Para que serve?

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Textos

 

A minha opinião pessoal é que a filosofia é o conjunto de considerações de índole especulativa que se fazem acerca de assuntos sobre os quais ainda não é possível  ter um conhecimento exacto. Bertrand Russel, A Minha Concepção do Mundo 

A filosofia, ao visar a totalidade do real, comporta necessariamente dois caracteres que constituem a sua originalidade própria: o primeiro é que ela não poderia dissociar as questões umas das outras, uma vez que o seu esforço específico consiste em atingir o todo; o segundo é que, tratando-se duma coordenação conjunta de actividades humanas, cada posição filosófica determina valorações e uma adesão, o que exclui a possibilidade de um acordo geral dos espíritos na medida em que os valores em questão permanecem irredutíveis. J. Piaget, A Situação das Ciências do Homem no Sistema das Ciências.

Uma filosofia definitiva, feita e assente uma vez para todo o sempre, implicaria a imobilidade do pensamento humano: o absoluto anestesiá-lo-ia. Essa tal verdade, aspiração ingénua de espíritos incultos, pode animar os crentes e exaltar os entusiastas: no domínio do puro pensamento nunca produzirá senão ilusão e vertigem, Antero de Quental, Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX.

Conceitos

 

 

Filosofia . Ontologia . Epistemologia . Lógica .Ética .Estética

 

 

Síntese da Matéria

Definição de Filosofia - Uma Aproximação Histórica

 

 

1. Não é fácil definir a filosofia. Nunca o foi. O seu conteúdo tem variado ao longo dos tempos, nomeadamente com o entendimento que cada filósofo faz da mesma. 

A palavra é formada pelas palavras "philos" e "sophia" que significam "amor à sabedoria". Foi Pitágoras que no século VI a.C. a utilizou pela primeira vez, para designar os homens que procuravam a sabedoria, separando-os assim dos deuses que a possuíam.  

2. A filosofia surgiu historicamente nas antigas colónias gregas da  Ásia Menor no século VI a.C. Os primeiros filósofos substituíram as narrações mítico-religiosas do cosmos, por explicações racionais, partindo de um conjunto de ideias que farão parte da tradição filosófica:

- A convicção que na natureza as coisas não acontecem a acaso, mas obedecem a uma necessidade que determina o quando e o como de acontecerem. 

- A convicção que o homem possui uma faculdade que lhes permite aceder à verdade, ultrapassando as aparências dos sentidos ou as ideias correntes.

- A convicção que por detrás da multiplicidade e mudança permanente das coisas subjaz uma ordem oculta que tudo determina.

3.Embora o filósofo seja aquele que procura o saber, a verdade é que rapidamente os primeiros filósofos se convenceram que já possuíam esse saber. Entre o século VI a.C. e o século XVII, predominou a concepção da filosofia como o verdadeiro saber. A verdade revelada pela filosofia era única, eterna e irrefutável. O filósofo era aquele que se erguia a cima do seu tempo, e contemplando a verdade das coisas a revelava aos homens.

Neste período não existia uma separação entre a filosofia e a ciência. O filósofo era o verdadeiro sábio e dominava todos os saberes particulares que constituíam as várias ciências. A filosofia assumia frequentemente uma dimensão sincrética.

4. A grande ruptura com esta concepção de filosofia ( a "philosophia perenis") ocorreu por volta do século XVII. Foi então que surgiu a ciência moderna, cujo melhor exemplo era dado pela  física experimental, criada por Galileu Galilei. A ciência rapidamente se separou da filosofia, impulsionada pelos seus métodos de investigação: Para a formulação de teorias explicativas da realidade exigia que a validação destas fosse feita através de provas que fossem universalmente verificáveis. As provas dadas na filosofia resumiam-se apenas a argumentos mas ou menos consensuais. Ao longo dos tempos muitos ramos da filosofia foram-se transformando em novas ciências.

5. À medida que a ciência moderna se impunha como a única forma de conhecimento válida, porque baseada em factos verificáveis universalmente, mais se questionava o lugar da filosofia. Qual a sua importância? Qual sua finalidade? Desde o século XVII muitos lugares tem sido apontados para a filosofia, como por exemplo:

- Espaço de reflexão sobre as grandes questões que a ciência não dá uma resposta. O campo da filosofia restringe-se, para muitos autores, aquilo que não pode ser objecto de um conhecimento exacto, científico. A filosofia teria assim um caracter residual face à ciência. 

- Espaço de organização de sínteses sobre os diferentes saberes particulares.

- Espaço de problematização, onde se reflecte de uma forma descomprometida sobre as coisas.

- Espaço de reflexão sobre a linguagem, nomeadamente sobre a linguagem científica, de modo a evitar a criação de falsos problemas e desfazer os existentes.

Carlos Fontes

Carlos Fontes

10º. Ano Programa de Filosofia

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