Navegando na Filosofia - Carlos Fontes

O que distingue o Sagrado do Profano?

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Síntese da matéria

A Experiência Religiosa e o Mundo dos Valores

 

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A religião pode ser definida como um conjunto de crenças e práticas (ritos), relativos a certos sentimentos manifestados perante o divino por uma dada comunidade de crentes, obrigando-os a agir segundo uma lei divina para puderem ser salvos, libertos ou atingirem a perfeição. Cada religião defende um conjunto de valores cuja validade pretende ser universal.

 

1. Experiência Religiosa

 

As manifestações religiosas são tão antigas e estão de tal modo difundidas que nos é difícil imaginar o Homem sem Religião. Chega-se à religião de múltiplas maneiras, a mais frequente é através da família. 

 

Os homens sempre esperam das religiões respostas para os enigmas com que se deparam: O que é homem? Qual o sentido da sua existência? Qual a origem e o fim do sofrimento? Como podemos atingir a felicidade? O que é a morte? Existe uma justiça sobre-humana que castigue os que fizeram outros sofrer e recompense as suas vítimas? Não encontrando respostas na ciência para estas questões, buscam-nas com frequência na religião.   

 

Mas o sentimento religioso emerge também a partir da própria consciência que o Homem é um ser finito, limitado, imperfeito, que se descobre num mundo que não criou e cujo sentido desconhece

 

A experiência religiosa está igualmente associada a vivências particulares, como os fenómenos sobrenaturais, que despertam os homens para outras dimensões da realidade.   

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Uma das mais célebres fotografias de "fantasmas". Foi tirada em Raynham Hall, em Inglaterra, em 1936,

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1.1. Lugares Sagrados

 

 

2.Transcendente

 

Cada experiência religiosa apresenta-se como uma ligação profunda e envolvente do homem com o sagrado, na qual se anula na sua individualidade. Sempre que o homem entra em contacto com o sagrado (o divino, o transcendente) estamos perante um tipo particular de experiência religiosa.

 

Todas as religiões assentam no pressuposto de que existem duas dimensões do real: a sagrada e a profana.

 

A sagrada define-se por oposição à profana, e corresponde a uma realidade que é assumida como perfeita, divina e dotada de poderes superiores aos humanos, suscitando no homem respeito, medo e reverência.

 

A profana identifica-se com o mundo em que vivemos, sendo apontada como  banal e vista inferior em relação à sagrada (Profano, do latim pro (diante de ) e fanum (espaço sagrado).

 

Em cada religião o transcendente expressa-se  sob diversas formas e assume diversas figuras: Deus, deuses, anjos, espíritos, etc.  

 

 

 

3.Crenças

 

Todas as religiões apresentam-se como um sistema de crenças e ritos. 

 

As crenças são representações sobre o sagrado elaboradas de forma mais ou menos complexa, podendo ou não ser escritas. Estas crenças definem uma concepção particular do sagrado, os seus poderes e virtudes. É inerente ao próprio conceito de crença, algo que não é do domínio da razão. Procurar uma explicação racional para a maioria das crenças revela-se quase sempre uma tarefa em vão.

 

Cada religião privilegia certas formas de contacto com o sagrado em detrimento de outras. Apresenta também uma dada explicação para o sentido do mundo e a existência do próprio homem (vida, morte, etc), em geral codificada sobre a forma de um conjunto de ensinamentos doutrinais. 

 

Entre as crenças associadas ao aparecimento de manifestações religiosas podemos destacar as seguintes:

 

A crença na existência de forças superiores ao Homem, a cujo poder este estaria submetido. Estes seres que manifestam a sua vontade e designios no mundo em que vivemos, são assumidos como absolutos, incondicionados, divinos, transcendentes, não compostos, omniscientes, etc. Sozinhos ou em grupo constituem uma outra dimensão da realidade, sendo frequentemente considerada como a única que é verdadeira. O mundo em que vivemos é  encarado como uma mera ilusão, sonho. 

 

A crença numa ordem e justiça sobre-humana. Esta crença permite ao Homem suportar não apenas o sofrimento e as injustiças que experimenta no seu quotidiano, mas também esperar uma espécie de recompensa após a morte do seu corpo.

 

 

 4. Ritos

 

Os ritos são um conjunto de práticas simbólicas através das quais o Homem entra em contacto com o sagrado, transcendendo a sua condição profana. Estes ritos devem ser executados com grande rigor, caso contrário daí poderão advir funestas consequências. 

 

Os ritos evocam quase sempre acontecimentos sobrenaturais ligados à origem do mundo ou da própria religião. A sua repetição é vivida como uma actualização desses acontecimentos memoráveis. Repetem-se os mesmos gestos ou pronunciam-se as mesmas palavras que em tempos imemoriais uma personagem divina realizou. 

 

Os rituais são testemunhos públicos das crenças de uma dada comunidade, que ao praticá-los não apenas reforça a sua unidade, também os sentimentos de pertença dos seus membros

 

É em torno destas crenças e ritos que se estruturam as diversas comunidades de crentes, acabando por diferenciá-las entre si em termos culturais e sociais.

 

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5. Moral Religiosa

 

As comunidades religiosas são igualmente comunidades morais, isto é, os seus membros partilham as mesmas normas de conduta, assumem os mesmos modelos de vida e evitam praticar aquilo que a religião condena.  A salvação individual ou colectiva está dependente do cumprimento da lei divina.

 

Continuação

         Carlos Fontes

 

Carlos Fontes

 10ºAno - Programa de Filosofia

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