
Van
Gogh (1853-1890), Noite Estrelada (1889)
Em
vida este pintor apenas conseguiu vender um único quadro.
1.Experiência
Estética. O
homem é razão, mas também emoção. O meio envolvente
despertam nele, emoções de agrado ou desagrado, de prazer ou de
tristeza, de beleza ou fealdade. Mas o homem não se limita a
contemplar, também cria, produz objectos onde procura não apenas
procura expressar estas emoções, mas fá-lo de forma que outros as
possam igualmente experimentar quando os contemplam.

Marcel
Duchamp, Fonte (1917)
Peça
com que Duchamp concorreu a uma exposição organizada pela "Society of
Independents Artits" que pugnava por novas formas de expressão
artística. A peça embora não tenha sido aceite, não tardou a tornar-se
num dos icones da arte moderna.
2. Atitude Estética .
As predisposições que o homem revela para produzir, mas também para
valorizar em termos emotivos os objectos e as situações,
constitui o que designamos por atitude estética. Esta atitude é pois uma das
condições necessárias para pudermos ter uma experiência estética, caso
contrário os nossos sentidos estarão bloqueados. Para que exista então
uma experiência estética é necessário: Contemplar as coisas de forma
desinteressada e sem preconceitos. O que implica vê-las como são em si
mesmas, com distanciamento e desapego. Os nossos sentidos devem estar
libertos e despertos para o diferente ou outras dimensões não
familiares.

René
Magritte,Isto Não é Um Cachimbo(1928 )
Uma
interrogação sobre a traição das imagens (quando as imagens são
confundidas com as próprias coisas)
3. Sensibilidade Estética. O modo como vivemos as
diversas experiências estéticas depende da nossa sensibilidade, a qual
é influenciada pela preparação que temos para poder usufruir uma dada
experiência. Muitas formas de arte, como certas expressões da arte
contemporânea requerem uma iniciação prévia, nomeadamente
para pudermos entender a linguagem usada pelos artistas.
4.
Estética. A Estética (Sentimento, olhar com sentimento) é uma
disciplina filosófica que procura definir o Belo ou da Beleza em geral e as
suas formas de representação nas artes e na natureza, assim como os seus
efeitos sobre os receptores. No início estes conceitos estavam intimante
ligada à ideia de Bem, mas também à afirmação de poder dos grupos
sociais dominantes. A contemplação estética e o destino das produções
artísticas foram assumidos como um dos seus privilégios.
5.
Beleza Natural e Beleza Artística. Os conceitos anteriores tanto podem ser
usados quando nos referimos à natureza ou a obras criadas por seres humanos.
Até praticamente ao século XVIII, não se fazia uma clara distinção entre um
e outro tipo de beleza, dado que os artistas procuravam sobretudo imitar a
beleza natural. Com a criação da estética como disciplina filosófica, no
século XVIII, faz-se uma nítida distinção entre os dois tipos de beleza. O conceito de estética passa a ser
reservado à
apreciação das obras criadas pelos homens. A definição do conceito de
beleza continuou, todavia, a ser um problema central da estética: É a Beleza definível? A beleza é uma qualidade que pertence às próprias coisas belas? Ou
resulta de uma relação entre elas e a nossa mente? Ou ainda de uma dada
predisposição (atitude) que adquirimos para as reconhecermos como belas?
6.
Juízos Estéticos. Um juízo é a afirmação ou a negação de
uma dada relação sobre algo (ex. O mar é belo; o lixo é feio). Um juízo
estético é a apreciação ou valorização que fazemos sobre algo, e
que se traduz em afirmações como "gosto" ou "Não
Gosto". Nem sempre estes juízos são baseados em critérios
explícitos que permitam fundamentar as nossas afirmações. Em termos
gerais todos os juízos estéticos baseiam-se nos seguintes
pressupostos:
a) Objectividade
das apreciações. Pressuposto que a Beleza é eterna, sendo
independente dos juízos individuais (subjectivos). A beleza não está nas nossas apreciações, mas constitui uma
propriedade dos próprios objectos estéticos. Que propriedade ou
propriedades são estas que tornam os objectos belos ? Apesar de todas as
tentativas para definir a Belo ou a Beleza, nunca se chegou a nenhum
consenso. Alguns autores procuram contornar a situação, afirmando que
para género artístico, ao longo dos tempos, têm vindo a ser apurados
certos "cânones" específicos que nos permitem ajuizar do
valor estéticos das diversas obras.
b) Subjectividade das apreciações.
Pressuposto que o valor estético atribuido a um objecto não pode ser
separado do contexto sócio-cultural a que está ligado. O belo é o que
eu gosto ou aquilo que me agrada. A beleza funda-se assim numa relação
subjectiva, sensorial, entre sujeito e o objecto. A arte ou o valor de cada obra
é sempre vista em função de um dado contexto. A história tem-nos
mostrado que nem sempre existe um acordo entre os méritos de uma obra de
arte e os juízos sobre a mesma produzidos na época em que foi criada.
Muitos artistas que foram considerados geniais no seu tempo são hoje
considerados artistas menores, enquanto que outros que passaram
despercebidos são agora valorizados.
7. A Estética como disciplina
filosófica. As primeiras manifestações artísticas são provavelmente tão
antigas como o próprio homem, mas o conceito de estética é
relativamente recente. A palavra
estética só foi introduzida em 1750 no
vocabulário filosófico pelo alemão Alexander Gottlieb Baumgartem quando
publicou uma obra (Estética) onde procurava analisar a formação do
gosto. A reflexão sistemática na
filosofia, sobre a beleza e a arte são, todavia, muito mais antiga e remonta
pelo menos à antiguidade clássica. Muitos autores preferem o termo filosofia da
arte, entendendo-o como uma reflexão centrada nas obras de arte e
nas suas relações com o criador que as produziu. Esta denominação
pretende excluir, por exemplo, o belo natural.
8. História
da Estética. O belo e a beleza têm sido objecto de
estudo ao longo de toda a história da filosofia. A beleza está
etimologicamente relacionada com "brilhar",
"aparecer", "olhar". Na antiga
Grécia a reflexão estética estava centrada sobre as manifestações do belo natural e o belo
artístico. Para Pitágoras o belo consiste na combinação harmoniosa
de elementos variados e discordantes. Platão afirma que a beleza de
algo, não passa de uma cópia da verdadeira beleza que não pertence a
este mundo. Aristóteles defende que o belo é uma criação humana, e
resulta de um perfeito equilíbrio de uma série de elementos. Na Idade
Média identifica-se a beleza com Deus, sendo as coisas belas feitas à
sua imagem e por sua inspiração. Entre os século XVI e XVIII
predomina uma estética de inspiração aristótélica: a beleza é
associada à perfeição conseguida por uma sábia aplicação das
regras da criação artística. As academias a partir do século XVII,
garantirão a correcta aplicação dos cânones artísticos. Kant
atribuirá ao sentimento estético as qualidades de desinteresse e de
universalidade. Foi o primeiro a definir o conceito de belo e do
sentimento que ele provoca. Hegel verá no belo uma encarnação da
Ideia, expressa não num conceito, mas numa forma sensível, adequada a
esta criação do espírito.

Orlan,
Quinta operação cirúrgica-performance ao lábio (1991).
Na
"arte carnal" à semelhança da "body art" o corpo
funciona como o suporte e o meio de expressão do artista. Esta artista
submeteu-se a várias operações como forma de provocar uma reflexão sobre
os conceitos de beleza.
A arte contemporânea colocou problemas
radicalmente novos à estética. Os artistas rompem com os conceitos e
as convenções estabelecidas na arte e sobre a arte. O conceito de experiência
estética, por exemplo, passou a ocupar o lugar que antes tinha na Estética o Belo ou a
Beleza. Consulta: Breve
História da Estética.
9. Filosofia da
Arte. Esta disciplina
filosófica tem um sentido muito mais restritivo que a estética, pois só
se aplica às chamadas "belas artes". Trata apenas das obras
criadas pelos seres humanos. Entre outras aborda as seguintes questões: Em
que consiste uma obra de arte ? Que se cria numa obra de arte ? Porquê e
quando se considera bela uma obra artística? É a arte uma expressão de
sentimentos ? A arte imita a natureza ? É subjectiva ou objectiva a
percepção estética? Existe uma definição geral de arte ? Que
critérios nos permitem afirmar a qualidade artística de uma obra de arte
? Qual o valor da própria arte?

Kazimir Malevitch, Quadrado
Preto sobre Fundo Branco (1918).
10.Criação
Artística. A produção artística é um processo muito complexo, podendo
ser realizada individual o colectivamente.

O que designamos
por criações artísticas, isto é, as obras criadas por artistas nem sempre
tiveram o mesmo sentido. Ao longo dos tempos tem sido muito diversas as
concepções sobre o que é uma obra de arte.
10.
Teorias sobre Arte . Entre
as teorias explicativas sobre a arte destacam-se as seguintes:
a) Teoria
da arte como imitação -A teoria mais antiga. A arte é uma imitação ou
representação da natureza, das ideias, da ordem ou harmonia cósmica, etc.
Na antiga Grécia, Platão
afirmava que as obras de arte não eram mais do que
cópias" mais ou menos perfeitas de modelos que a alma captara
noutra dimensão da realidade. A criação artística é assim uma
descoberta ou reencontro com a beleza que trazemos escondida
dentro de nós. Na arte nada se cria de novo, mas apenas se dá
forma a modelos pré-existentes na mente dos artistas.
Aristóteles,
introduz o conceito de "mimésis": as produções
artísticas situam-se na fronteira entre o imaginário e a imitação
da realidade. A arte não imita portanto a natureza, mas
corrige-a, exalta-a ou rebaixa-a, transfigurando-a naquilo que ela
deveria ser.
No Renascimento, ressurge o conceito
do homem como criador, divulgando-se o conceito da arte como
imitação da realidade. Concepção que irá preponderar até ao
século XIX.
No século XIX e princípios do
século XX, face ao advento da fotografia e depois do cinema, assiste-se à progressiva desvalorizada a dimensão imitativa
da arte, em favor da sua dimensão expressiva (emotiva, formal,
simbólica, etc ).

A.
Durer, Lebre (1502)
b)
Teoria da arte como expressão - A arte é a expressão das
emoções, sentimentos dos artistas.
Durante a Idade Média, os artistas
encaram as suas produções artísticas como a expressão de uma
louvor à Deus, o único e efectivo criador.
A concepção
programática de arte como expressão emerge no século XIX valorizando a dimensão subjectividade da criação
artística, primeiro com o impressionismo e depois mais explicitamente
depois com o expressionismo.

Claude
Monet, Impressions: soleil levant (1874)
O momento decisivo
desta ruptura foi a exposição que abriu a 15 de Abril de 1874, no atelier do
pioneiro de fotografia Nadar, com obras entre outros de Oscar-Claude Monet
(1840-1926).

Kokoschka,
Desenho (1909)
c) Teoria
da arte como forma - A arte é vista como um vasto conjunto de
técnicas de expressão que cada artista faz uso consoante o meio específico em que trabalha.
Cada artista cria ou combina símbolos ou signos visuais, auditivos ou
outros destinados a provocar nos receptores ideias e emoções. O pintor
combina cores e figuras, o compositor sons e silêncios, o coreografo
movimentos e figuras, o arquitecto espaços e volumes, etc.

Piet
Mondrian, Composition with Yellow, Blue, and Red (1921)
d) Teoria
institucional da arte - Aquilo que pode ser abrangido pelo conceito
de arte é determinado em última instância por uma comunidade de
pessoas ligada à sua produção, venda e difusão, e entre os quais podemos
apontar os críticos, historiadores, galeristas, etc. O entendimento do que
é a arte, assim como do que deve ser considerado artístico é remetido
para comunidade que a produz, avalia, promove e difunde. Os critérios
seguidos por esta comunidade são em geral muito distintos dos usados pelo
publico não especializado (Ver "Fim da Arte ? ").

Eduardo
Kac, Coelho Fluorescente (2002)
Através
de processos de manipulação genética este artista criou em laboratório um coelho com pelos fluorescentes.
Ao longo da
história podemos encontrar artistas ou mesmo época que valorizaram uma
ou outra destas expressões estéticas, mas foi somente a apartir do
século XIX que as mesmas deram origem a movimentos artísticos como um
programa ideológico.

San
Jinks e Patricia Piccinini (dir.), The Young Family (A Família
Jovem) da exposição We Are Family (Nós Somos Família),
escultura
Exploração
satírica do antropomorfismo.
11. Especifícidades das
linguagens artísticas. Classificação das artes.
A arte em geral pode ser
entendida como uma forma de linguagem que os criadores utilizam para
comunicar ideias, expressar sentimentos e naturalmente provocar sensações
ou reacções nas pessoas. Cada género artístico (pintura, escultura,
cinema, música, etc) tem a sua sua própria linguagem. Para interpretarmos
uma obra de arte, como veremos, devemos ter em conta a especificidades de
cada uma destas linguagens.
Exemplo de nova expressão
artística: Video
Art - Qual a especificidade da sua linguagem ?
12. A Interpretação da Obra de arte.
A linguagem artística é por natureza polissémica, isto é,
admite uma pluralidade de sentidos, apelando à nossa capacidade para
os descobrir. Não existe pois uma única forma de as interpretar,
como não existe uma maneira de as sentir.
|
. Elementos
para abordagem de uma obra de arte pictórica |
| Dimensão
Técnico-formal | Materiais
e técnicas utilizadas Cor, Desenho, Luz, Perspectiva,
Composição, Dimensão, etc |
| Dimensão
Simbólica | Tema,
Iconografia, Códigos, etc. Para a interpretação simbólica da arte
ocidental é fundamental conhecer as Lendas e Mitos da Antiguidade
Clássica, a Biblia e a vida de Cristo, os santos e o seus milagres, mas
também símbolos da natureza (frutos, plantas, árvores, animais, etc).
Eles foram largamente utlizados pelos
artistas.
|
| Dimensão
Contextual | Integração
da obra no contexto da história da arte
Integração da obra na época
histórica (sociedade, mentalidade, concepções filosóficas,
científicas e técnicas dominantes)
Integração da obra no contexto da
produção do artista Conhecimento da biografia do artista
( origem, formação, influências, concepções artísticas,
etc). |
13.
Atitudes perante a arte. A
relação com a arte depende da perspectiva como a encaramos.
. Como espectadores. A nossa
sensibilidade artística é adquirida através do contacto com as
obras de arte, a educação do gosto, a compreensão das correntes
estéticas e formas de expressão artística. Nas apreciações que
fazemos sobre estas obras, não deixa de se reflectir os gostos
dominantes da sociedade, ou os padrões correntes nos grupos sociais
em que nos movemos.
. Como artistas.
. Como críticos de arte
. Como historiadores de arte
. Como sociólogos da
arte.
14. Arte
e Sociedade. As
relações entre a arte e a sociedade tem sido encaradas de múltiplas
formas.
Uns encaram
os artistas como simples seres mais ou menos passivos que se limitam a
expressar ou espelhar as ideias da sociedade e seus grupos dominantes, ou
ainda a servirem os interesses do poder, nomeadamente em termos
propangandísticos.
Outros
autonomizam a função dos artistas e encaram-nos como interpretes das
preocupações ou dos valores de uma sociedade, muitas vezes
antecipando-se mesmo à sua própria evolução, revelando as
consequências de determinadas tendências sociais. Neste sentido, a
arte tem funcionado como um instrumento de crítica social.
Não podemos, como é obvio, reduzir
as criações artísticas apenas ao tempo em que foram produzidas, a
arte manifesta essa invulgar capacidade também de o superar. Para a compreensão da criação artística,
temos que levar em conta dois planos essenciais: 1.Sociedade onde
decorrem as vivências e as aprendizagens do artistas; 2. O
imaginário real ou fictício que o artista materializa em cada
obra. 3. O próprio artista que nunca deixa de "pôr tudo aquilo que
é no mínimo que faz" (Fernando Pessoa).
15. Arte: Produção e Consumo.
a ) Acesso à Arte. As revoluções democráticas do
século XIX promoveram o acesso da população à Arte, que até aí era apágio
de uma minoria social. Começaram a ser criados museus, organizadas exposições
e espectáculos e muitos outros eventos culturais, com a finalidade de
promoverem a fruição estética e educação artistica da população. O
problema que desde logo se colocou é que a disponibilidade destes meios, não
significa só por si uma efectiva democratização da arte. Sem uma formação e
atitude estética adequada, por mais meios que sejam disponilibilizados à
população, a experiência estética pode continuar a ser mediocre, estando
apenas reservada a uma minoria social.
O turismo
de massas, caracteristico das nossas sociedades, se aumentou o contacto das
pessoas com grandes valores culturais, tende a criar uma cultura superficial
e redutora das experiências estéticas. O seu impacto é por vezes de tal
modo negativo que chega destruir os próprios bens culturais que pretendia
promover o acesso.
b ) Arte de
Massas. A industrilização do mundo que começou no século XVIII, tem
vindo a alterar profundamente a nossa relação com a ate. A peça única,
caracteriticas da produção artesanal, tem vindo a ser substituida pela peça
em série própria da produção industrial. O artesão deu lugar ao "designer"
(desenhador industrial). Mutos criticos deste sistema, tem afirmado que a reprodução em massa
de uma obra, provoca perda do carácter único
dos objectos, banalizando-os, e desta forma diminuiu o seu valor e autencidade.
A
arte passou ser estar subordinada às estratégias comerciais e ao consumo
imediato.
c ) Industrias culturais e
mercantização da arte. As novas
formas de comercialização da arte (exposições, galerias, feiras,
agentes, negociantes, promoção, etc) alteraram por completo a nossa relação
com a arte, assim como a relação dos artistas com o público. Qual a sua importância
desta nova realidade na fruição e valoração
de uma obra de arte ? O valor de uma obra pode ser manipulado ?
d ) Funções
da arte na nossa sociedade. Arte como conhecimento, arte como catarse, arte
como diversão.
16. O Fim da Arte
?
Os limites
da arte sempre foram uma questão polémica.
A
fronteira entre arte e a propaganda foi durante muito tempo o principal tema
de discussão. Os grandes artistas sempre se prestaram a servir o poder,
nomeadamente promovendo os mais sanguinários ditadores. Beethoven dedicou a
Sinfonia Nº.3 (1803) ao ditador Napoleão Bonaparte que provocou uma enorme
destruição e pilhagem da Europa. Hitler dificilmente teria conseguido
convencer o povo alemão sem a colaboração de geniais criadores como
Albert Speer (arquitecto) ou Leni Riefenstahl (cineasta). Nas suas obras
onde está a fronteira entre a arte e a propaganda ?
Muitos
artistas modernos tem levantado novos problemas sobre os limites da arte, em
particular no domínio político e ético. Não é fácil aceitar como
"arte" muitas das produções de movimentos
artisticos como a "Body Art" ou "Bio Art" nos quais são
mutilados corpos ou utilizados seres humanos como meros objectos, ou ainda
mortos ou modificados geneticamente animais. Alguns exemplos para reflectir:
1.
Joseph Beuys (1921-1986)
Artista
alemão mundialmente conhecido pelas suas "performances", algumas
das quais utilizou animais vivos e mortos.

Joseph Beuys, I Like America and America Likes Me (1974). Durante uma semana
fechou-se numa galeria de arte en Nova Iorque com o caiote.
2.
Hannah Wilke ( 1940 -1993)
Artista
norte-americana que se celebrizou nos anos 70 pela sua crítica à
instrumentalização do corpo da mulher. Na fase terminal da doença que a
matou transformou as imagens da sua degradação física em obras de
arte.

Hannah
Wilke, Intra-Venus (1993).
3.
Habanuc
Artista
costa-riquenho tornou-se em Agosto de 2007 subitamente conhecido a nível
mundial, por ter exposto numa galeria um cão faminto e doente. O objectivo
da "instalação" era denunciar a indiferença com que eram
tratados os imigrantes na Costa Rica. O cão, simbolizando os
imigrantes, acabou por morrer à fome na galeria de arte.

Fotografia
do cão que Navacuc utilizou na "Exposicion nº.1", em Manágua,
Nicarágua.
4.
Santiago Sierra (1966)
Artista espanhol que
se tem celebrizado por utilizar imigrantes, prostitutas, toxicodependentes e
indigentes nas suas intervenções artisticas. A fragilidade e miséria
destas pessoas permite-lhe contratá-las por preços irrisórios para polémicas
acções nas quais são usados em situações humilhantes sob o pretexto de estarem
precisamente a denuncia-las.
Em Julho de 2001, todos os
dias encerrava cerca de 20 imigrantes num barco de transportes no porto de
Barcelona. A ideia era denunciar a exploração que os mesmos são vítimas
nos países de acolhimento. Noutra ocasião colocou imigrantes a arrastarem
uma pedra de uma lado para o outro. Noutra ainda, usou-os para segurarem uma
parede de tijolo numa galeria de arte. Os exemplos são vários.
Carlos Fontes