Navegando na Filosofia. Carlos Fontes

Experiência e Atitude Estética

Definição da Arte

Interpretação da Obra de Arte

Especificidades das linguagens artísticas

 

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Pesquisa

 

Uma obra de arte é um desafio; não a explicamos, ajustamo-nos a ela. Ao interpretá-la, fazemos uso dos nossos próprios objectivos e esforços, dotamo-la de um significado que tem a sua origem nos nossos próprios modos de ver e de pensar. Numa palavra, qualquer género de arte que, de facto, nos afecte, torna-se deste modo, arte moderna, Arnold Hauser, Teorias de Arte

Os problemas levantados pela interpretação da obra de arte apresentam-se sob o aspecto de contradições permanentes. A obra de arte é uma tentativa para alcançar aquilo que é único; afirma-se como um todo, um absoluto, mas pertence simultaneamente a um complexo sistema de selecções. É o resultado de uma actividade independente, traduz um devaneio superior e livre, mas é também um ponto onde convergem as linhas de força das civilizações, Henri Focillon, A Vida das Formas 

   

Síntese

A Estética e a Expressão Artística

Magrite

 

1.Experiência e Atitude Estética. O homem é razão, mas também emoção. O  meio envolvente despertam nele, emoções de agrado ou desagrado, de prazer ou de tristeza, de beleza ou fealdade. Mas o homem não se limita a contemplar, também cria, produz objectos onde procura não apenas procura expressar estas emoções, mas fá-lo de forma que outros as possam igualmente experimentar quando os contemplam. 

As predisposições que o homem revela para produzir, mas também para valorizar em termos emotivos os objectos e as situações, constitui o que designamos por atitude estética.

2.Juízos Estéticos. Um juízo é a afirmação ou a negação de uma dada relação sobre algo (ex.O mar é belo; o lixo é feio). Um juízo estético é a apreciação ou valorização que fazemos sobre algo, e que se traduz em afirmações como "gosto" ou "Não Gosto". Nem sempre nestes juízos são baseados em critérios explícitos que permitam fundamentar as nossas afirmações. Em termos gerais todos os juízos estéticos podem ser nos seguintes pressupostos: 

a) Objectividade das apreciações. Partimos do pressuposto que independentemente das épocas históricas, continuam a permanecer válidos um dado conjunto de valores.

b) Subjectividade das apreciações. Partirmos do pressuposto que estes valores estéticos não pode ser separados dos contextos sócio-culturais a que estão ligados. O que é arte ou não ou o valor de cada obra tem que ser sempre equacionado em função destes determinados contextos sociais, culturais ou outros. 

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2.Beleza Natural e Beleza Artística. Os conceitos anteriores tanto podem ser usados quando nos referimos à natureza ou a obras criadas por seres humanos. Até praticamente ao século XVIII, não se fazia uma clara distinção entre um e outro tipo de beleza, dado que os artistas procuravam sobretudo imitar a beleza natural. Com a criação da estética como disciplina filosófica, no século XVIII, faz-se uma nítida distinção entre os dois tipos de beleza. O próprio conceito de estética passa a ser cada vez mais reservado à apreciação das obras criadas pelos homens. A definição do conceito de beleza continuou, todavia, a ser um problema central da estética: É a Beleza definivel? A beleza é uma qualidade que pertence às próprias coisas belas? Ou resultada de uma relação entre elas e a nossa mente? Ou ainda de uma dada predisposição (atitude) que adquirimos para as reconhecermos como belas?

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A Estética como disciplina filosófica. As primeiras manifestações artísticas são provavelmente tão antigas como o próprio homem, mas o conceito de estética é relativamente recente. A palavra estética só foi introduzida no vocabulário filosófico em  meados do século XVIII, pelo filósofo alemão Alexander Gottlieb Baumgartem que publicou em 1750, "Estética", onde procurava analisar a formação do gosto. A reflexão sistemática na filosofia, sobre a beleza e a arte são, todavia, muito mais antigas, remontam à antiguidade clássica. Muitos autores preferem o termo filosofia da arte, entendendo-o como uma reflexão centrada nas obras de arte e nas suas relações com o criador que as produziu. Esta denominação pretende excluir, por exemplo, o belo natural. 

História da Estética. O belo e a beleza têm sido objecto de estudo ao longo de toda a história da filosofia. A beleza está etimologicamente relacionada com "brilhar", "aparecer", "olhar". Na antiga Grécia a reflexão estética estava centrada sobre as manifestações do belo natural e o belo artístico. Para Pitágoras o belo consiste na combinação harmoniosa de elementos variados e discordantes. Platão afirma que a beleza de algo, não passa de uma cópia da verdadeira beleza que não pertence a este mundo. Aristóteles defende que o belo é uma criação humana, e resulta de um perfeito equilíbrio de uma série de elementos. Na Idade Média identifica-se a beleza com Deus, sendo as coisas belas feitas à sua imagem e por sua inspiração. Entre os século XVI e XVIII predomina uma estética de inspiração aristótélica: a beleza é associada à perfeição conseguida por uma sábia aplicação das regras da criação artística. As academias a partir do século XVII, garantirão a correcta aplicação dos cânones artísticos. Kant atribuirá ao sentimento estético as qualidades de desinteresse e de universalidade. Foi o primeiro a definir o conceito de belo e do sentimento que ele provoca. Hegel verá no belo uma encarnação da Ideia, expressa não num conceito, mas numa forma sensível, adequada a esta criação do espírito. A arte moderna coloca problemas radicalmente novos à estética. Os artistas rompem com os conceitos e as convenções estabelecidas na arte e sobre a arte. Consulta: Breve História da Estética.    

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4.  Criação Artística. O que designamos por criações artísticas, isto é, as obras criadas por artistas nem sempre tiveram o mesmo sentido.

 Na antiga Grécia, Platão afirmava que as obras de arte não eram mais do que cópias" mais ou menos perfeitas de modelos que a alma captara noutra dimensão da realidade. A criação artística é assim uma descoberta ou reencontro com a beleza que trazemos  escondida dentro de nós. Na arte nada se cria  de novo, mas apenas se dá  forma a modelos pré-existentes na mente dos artistas.

Aristóteles, introduz o conceito de "mimésis": as produções artísticas situam-se na fronteira entre o imaginário e a imitação da realidade. A arte não imita portanto a natureza, mas corrige-a, exalta-a ou rebaixa-a, transfigurando-a naquilo que ela deveria ser.

Durante a Idade Média, os artistas encaram as suas produções artísticas como a expressão de uma louvor à Deus, o único e efectivo criador.

No Renascimento, ressurge o conceito do homem como criador, divulgando-se o conceito da arte como imitação da realidade. Concepção que irá preponderar até ao século XIX.

No século XIX e princípios do século XX, face ao advento da fotografia e depois do cinema, assiste-se à progressiva desvalorizada a dimensão imitativa da arte, em favor da sua dimensão expressiva (emotiva, formal, simbólica, etc ).

5. Teorias sobre Arte . Entre as teorias explicativas sobre a arte destacam-se as seguintes: 

a) Teoria da arte como imitação -A teoria mais antiga. A arte é uma imitação ou representação da natureza, das ideias, da ordem ou harmonia cósmica, etc.

 b) Teoria da arte como expressão - A arte é a expressão das emoções, sentimentos dos artistas. Concepção de arte que emerge a partir do século XIX que valoriza a dimensão subjectividade da criação artística. 

c) Teoria da arte como forma - A arte é vista como um vasto conjunto de técnicas de expressão que cada artista faz uso consoante o meio específico em que trabalha.  

d) Teoria institucional da arte - Aquilo que pode ser abrangido pelo conceito de arte é determinado em última instância por uma comunidade de pessoas ligada à sua produção, venda e difusão, e entre os quais podemos apontar os críticos, historiadores, galeristas, etc. 

e) Teoria da arte como forma significante -

6.Valor Artístico.  Que critérios nos permitem afirmar a qualidade artística de uma obra de arte ? Qual o valor da própria arte? 

7.Atitudes perante a arte. A relação com a arte depende da perspectiva como a encaramos.

. Como espectadores. A nossa sensibilidade artística é adquirida através do contacto com as obras de arte, a educação do gosto, a compreensão das correntes estéticas e formas de expressão artística. Nas apreciações que fazemos sobre estas obras, não deixa de se reflectir os gostos dominantes da sociedade, ou os padrões correntes nos grupos sociais em que nos movemos. 

. Como artistas

. Como críticos de arte

. Como historiadores de arte

. Como sociólogos da arte.

8. A Interpretação da Obra de arte. A linguagem artística é por natureza polissémica, isto é, admite uma pluralidade de sentidos, apelando à nossa capacidade para os descobrir. Não existe pois uma única forma de as interpretar, como não existe uma maneira de as sentir.

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Elementos para abordagem de uma obra de arte pictórica

 

Dimensão Técnico-formalMateriais  e técnicas utilizadas

Cor, Desenho, Luz, Perspectiva, Composição, Dimensão, etc

Dimensão SimbólicaTema, Iconografia, Códigos, etc.
Dimensão ContextualIntegração da obra no contexto da história da arte

Integração da obra na época histórica (sociedade, mentalidade, concepções filosóficas, científicas e técnicas dominantes)

Integração da obra no contexto da produção do artista

Conhecimento da biografia do artista ( origem, formação, influências, concepções artísticas, etc).

9.Especifícidades das linguagens artísticas. Classificação das artes.

10. Arte e Sociedade. As relações entre a arte e a sociedade tem sido encaradas de múltiplas formas. 

Uns encaram os artistas como simples seres mais ou menos passivos que se limitam a expressar ou espelhar as ideias da sociedade e seus grupos dominantes, ou ainda a servirem os interesses do poder, nomeadamente em termos propangandísticos.

Outros autonomizam a função dos artistas e encaram-nos como interpretes das preocupações ou dos valores de uma sociedade, muitas vezes antecipando-se mesmo à sua própria evolução, revelando as consequências de determinadas tendências sociais. Neste sentido, a arte tem funcionado como um instrumento de crítica social.

 Não podemos, como é obvio, reduzir as criações artísticas apenas ao tempo em que foram produzidas, a arte manifesta essa invulgar capacidade também de o superar. Para a compreensão da criação artística, temos que levar em conta dois planos essenciais: 1.Sociedade, onde decorrem as vivências e as aprendizagens do artistas; 2. O imaginário ou fictício que o artista constrói e corporiza em cada obra. 3. O próprio artista que, ora se apaga, ora se evidência naquilo que faz.

 

11. Novas Problemáticas: Arte de Massas; O Fim da Arte

 

  Carlos Fontes

 

Carlos Fontes

10º. Ano- Programa de Filosofia

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