Navegando na Filosofia - Carlos Fontes

O que caracteriza uma questão filosófica?

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Textos

 

As Questões Filosóficas

Àquela hora muitos cachorros já deviam ter sido vendidos. O desespero era grande da funcionária do bar que tentava sem êxito pôr a máquina de tostar em funcionamento. Num canto da sala, um grupo de alunos, entretinha-se a inventar explicações para o acontecimento do dia.

Era mais ou menos consensual que desde há dias que as salsichas pareciam estar mais tostadas que o habitual. A explicação estava segundo Nuno, no desgaste das peças. Perante o ar espantado da assistência fez uma pormenorizada descrição dos mecanismos que moviam a armação onde as salsichas estavam presas. Era de facto de lamentar que todos aqueles geniais mecanismos, produto de milhares de anos de invenções, tivessem sido postos em causa por um simples pedaço de metal, a única causa admissível. Ester, inclinava-se para atribuir a causa a uma transformação química, mais propriamente a uma inconveniente associação entre o ferro e o oxigénio do ar, o que teria originado o aparecimento de uma nova substância - o óxido de ferro, mais conhecido, por ferrugem. Deste modo, alterando-se as características dos materiais modificou-se por consequência o comportamento das peças. Nesta forma enigmática, para uma leigo em rudimentos de ciência, estava esclarecida a ausência de salsichas na escola. "Tudo tem uma explicação, basta pensarmos um pouco", rematou com um ar triunfante.

Erguendo-se da cadeira, Eduardo disparou: "Alto aí!. O que queres dizer exactamente ?". Receosa das furiosas atitudes filosóficas de Eduardo, Ester afirmou a medo que estava a dar à palavra "explicação", o sentido de "causa". Não pretendia dizer outra coisa senão a de que tudo o que acontece decorre necessariamente de algo que a produz. "Não há fumo, sem fogo", exemplificou. Abrindo os olhos, Eduardo, tornou a interrogá-la sobre o sentido da palavra "Tudo". Respirando de alívio pela modéstia da pergunta, Ester, precisou que "tudo", significava para ela "Todas as coisas que existem, por exemplo, um molho de chaves, ou mesmo o Universo."

Eduardo no íntimo tinha para si que o essencial da Filosofia estava no modo como as questões eram abordadas, na forma como se prosseguia a investigação visando a totalidade do real, superando todas as respostas já dadas. Com um sorriso que lembrava vagamente o de Wittgenstein, quando julgava destruir na Universidade de Cambridge os argumentos dos seus colegas e alunos, perguntou-lhe: "A ser verdade tudo o que afirmas, tenho pois que concluir que estás em condições de explicar a causa porque há 15 mil milhões de anos surgiu o Universo?. Porque existem coisas e não o nada?. Se a causalidade reside nas coisas ou na nossa cabeça? E por último, se admitirmos que a causalidade reside nas coisas, isto é, está inscrita na sua natureza, como saberemos se somos livres e responsáveis pelo que fazemos, ou pelo contrário se somos determinados no agir?".

Não foi preciso responder, porque nesse preciso instante, resolveu-se outro grande enigma. A máquina das salsichas não funcionava porque não estava ligada à corrente eléctrica...

Carlos Fontes

Síntese da Matéria

 

 

1.Nem todas as questões que o Homem coloca são filosóficas. As questões filosóficas são aquelas que dizem respeito a todos os homens.

2. Ao questões básicas da filosofia variam menos que as filosofias. Durante séculos persistiram as questões enunciadas por Platão : a Verdade -o Bem - a Beleza. Aspectos que reflectiam a natureza do Ser (metafísica). No século XVIII, E. Kant formulava as seguintes: Que podemos saber (metafísica)? Que podemos fazer (moral) ? Que podemos esperar (religião) ? Que é o homem (antropologia) ? . A última questão incluía todas as anteriores. Nos nossos dias os filósofos, retomam sem cessar estas e outras questões, assim como enunciam novas problemáticas que emergem da nossa sociedade, nomeadamente no domínio da ética

 

Pesquisa

 

 

oCrise de valores no mundo contemporâneo

oNovos Problemas da Ética

 

Carlos Fontes

10º. Ano Programa de Filosofia 

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